[Entrevista] Design Instrucional e metodologias inov-ativas com Andrea Filatro

Tempo de leitura: 11 minutos

Já falamos várias vezes, aqui no blog, sobre o design instrucional (DI), como funciona, a responsabilidade dessa função e como ela é essencial para o desenvolvimento de um bom curso a distância.

Convidamos Andrea Filatro para um bate papo, ela nos explicou de forma detalhada a importância do DI, e também, a funcionalidade e aplicabilidade das metodologias inov-ativas!

 

Aprecie sem moderação! 😉

1 – Quem é a profissional Andrea Filatro?

Bom, costumo dizer que sou uma “operária do saber”.

Por que a gente trabalha muito escrevendo, ensinando, fazendo reuniões, validando, participando de congressos, aprendendo com os colegas, fazendo avaliações.

Então assim, é muito trabalho, muita leitura, muito estudo, muita reflexão, muito diálogo, para poder realmente realizar um trabalho de pesquisa e prática na área de educação a distância e de design instrucional, que é onde eu atuo.

 

2 – Qual o maior erro que você já cometeu na EAD?

Vejo que o maior erro não é pontual, é um erro de princípio.

Como trabalhamos com design instrucional, que é uma área que visa criar as melhores soluções para determinado contexto, dentro das condições estabelecidas, o erro é achar que, se nosso planejamento for muito bem feito, as coisas vão funcionar. Às vezes gastamos muito tempo nisso, apesar de eu acreditar que devemos gastar mesmo, para antecipar o máximo possível de problemas e tentar resolvê-los em benefício dos alunos.

 

3 – Qual a maior inovação que você já viu no meio EAD?

Falar em inovação é sempre delicado ou polêmico, porque o que é inovação para algumas pessoas, pode não ser para outras.

Esse caráter de “novidade” tem muito a ver com o repertório de cada pessoa e instituição, então algumas inovações não se relacionam exatamente a novos equipamentos, novos produtos ou, novas tecnologias, que é no que geralmente pensamos em termos de inovação.

Trabalhei em uma instituição na qual consideramos uma grande inovação o desenvolvimento de uma cultura de direitos autorais, tanto de respeito ao direito de terceiros, como a conscientização da capacidade, da competência de autoria dos professores.

Embora tenhamos trabalhado com ferramentas fantásticas, o fato de haver esse amadurecimento em relação ao que é a produção de conteúdos, como lidar com os conteúdos produzidos pelas outras pessoas, e como encarar os seu próprios conteúdos para que eles sejam inéditos, originais, tudo isso foi uma grande inovação dentro daquele contexto. Por exemplo, o mundo editorial, isso jamais seria considerado uma inovação, pois é uma questão mais do que dominada naquele ambiente.

Por outro lado, vemos algumas coisas muito interessantes em termos de realidade aumentada, por exemplo, que permite a tecnologia para o dia a dia com poucos recursos, um celular, um software, uma projeção tridimensional, permitindo que um livro didático seja estendido com recursos tridimensionais, sonoros e de animação, ou que uma simples caixa de areia vire uma grande experiência na área de física.

Enfim, geralmente essa inovação está bastante associada ao que as pessoas fazem com uma tecnologia. Então, quanto mais uma tecnologia permitir que as pessoas criem, pensem, compreendam, vejam demonstrações, exercitem, experimentem, mais inovadora ela será.

 

4 – O que são as metodologias inov-ativas? E qual o desafio de implementá-las?

“Metodologias inov-ativas” é uma expressão que eu e a professora Carolina Costa Cavalcanti, que é a coautora do livro, de mesmo nome, criamos para abarcar quatro grupos de de metodologias que nós achamos super contemporâneas, que trazem uma nova visão de educação.

A primeira delas abrange as metodologias ativas, que já estão bastante disseminadas no meio educacional e basicamente se caracterizam pelo protagonismo do aluno em lugar do protagonismo do professor.

Por isso o termo metodologias ativas: elas são baseadas na atividade do aluno, na sua interação com conteúdos, com ferramentas e com outras pessoas, estudantes, professores, comunidade etc. E elas são baseadas também na ação, na reflexão, na aprendizagem em grupo, na coletividade, na colaboração.

O segundo grupo de metodologias que consideramos inovadoras na educação são as chamadas metodologias ágeis.

Essas metodologias surgem na esteira daquela visão de que podemos enxugar as propostas de ensino e aprendizagem através, por exemplo, do microlearning (microaprendizagem), que envolve microconteúdos e microatividades, por meio das quais o indivíduo aprende e é avaliado e certificado por competências pontuais. Então, uma vez que as pessoas não têm tempo para formações extensas, ou precisam de atualizações rápidas, a microaprendizagem vem atender essas necessidades mais pontuais.

Dentro das metodologias ágeis, também entram a aprendizagem móvel e ubíqua, ou seja, aquelas mediadas por dispositivos móveis e dispositivos com sensores. A primeira envolve a possibilidade de aprender realmente em qualquer lugar. Essa era um slogan que se tinha antes com a aprendizagem a distância, mas muitas das vezes a gente precisava aprender no local onde tinha um PC.

Hoje, com os celulares e outros dispositivos móveis, podemos aprender no aeroporto, no ônibus, no saguão de espera de um médico etc. Já os dispositivos com sensores permitem identificar determinadas variáveis, como a localização geográfica, temperatura, pressão, coletar dados a partir do contexto do usuário e, dependendo da proposta do curso, adaptar a aprendizagem com base nessas variáveis.

Além disso, ainda temos as metodologias imersivas. Elas têm a ver com o engajamento do aluno na situação da aprendizagem, através de jogos e gamificação.  Alguns recursos imersivos, como a realidade aumentada e a realidade virtual, ajudam a dar uma ilusão de realidade e de presença física, psicológica, etc., dentro de um ambiente digitalizado e modelado computacionalmente.

E por fim, temos o último grupo de metodologias inov-ativas, que são as analíticas, aquelas baseadas na análise dos dados de aprendizagem. Elas incluem ferramentas que permitem a coleta e o tratamento de dados armazenados em ambientes digitais de aprendizagem.

Alguns exemplos de dados que podem ser tratados são:

  • Em que momentos uma pessoa entra no ambiente de aprendizagem;
  • Quais recursos ela acessa com menos ou mais frequência;
  • Quanto tempo ela permanece no ambiente;
  • Qual é a relação entre seus acessos e a nota final em um curso ou uma disciplina;
  • Qual é a relação entre sua participação nos fóruns e sua permanência nos estudos;

Com os dados gerados pela atividade das pessoas no ambiente digital de aprendizagem, pode-se obter subsídios para a tomada de decisão, sendo possível inclusive propor ações de aprendizagem personalizada e adaptativa conforme o desempenho identificado no ambiente.

 

 

5 – Qual a importância do Design Instrucional (DI) dentro de um curso EAD?

Dentro de um ambiente de educação a distância, o DI é fundamental, na medida em que é a metodologia que articula as várias dimensões que contribuem para o sucesso de um curso, quais materiais serão acessados pelos alunos, quais ferramentas serão utilizadas pela comunicação, quais caminhos de navegação e percursos de aprendizagem.

Então, o DI é a forma de organizar tudo isso com base em literatura de boas práticas, relatos de sucesso e de fracasso, e também com uma parte de gestão de pessoas e de recursos.

Isso porque a educação a distância (e a educação em geral) só é bem sucedida quando se reconhece o papel de cada dimensão envolvida, a dimensão técnica e científica, a dimensão tecnológica, a dimensão pedagógica, a dimensão organizacional, a dimensão comunicacional.

Essas competências envolvidas no processo precisam estar articuladas, de modo a propiciar ao indivíduo uma experiência de aprendizagem significativa e agradável. O design instrucional tem essa capacidade por causa da sua formação multidisciplinar que permite reunir múltiplas competências para criar algo tangível que será usado pelo aluno virtual.

 

6 – Qual a maior dificuldade que você já enfrentou ao desenvolver um desenho instrucional?

Olha, a grande dificuldade de desenvolver uma proposta de design instrucional é que, em algum momento precisamos sair do sonho e descer para realidade.

Geralmente, quando nos deparamos com uma necessidade de solução educacional, como é um curso, começamos a sonhar com muitas possibilidades. Olhando as ações existentes dentro ou fora da instituição, pensamos:

“Nossa, podemos fazer assim e assim, implementar esta ou aquela funcionalidade, trazendo inovação etc.”

Mas em algum momento precisamos considerar as questões técnicas e econômicas, ou seja, as restrições do contexto, que envolvem tanto a instituição como o aluno que está recebendo o curso. Então a grande dificuldade é como tornar uma ideia viável nas condições existentes.

Muitas vezes acabamos empobrecendo a ideia original por falta de recursos humanos, financeiros, tempo etc. Mas ainda assim podemos incluir em uma solução mais adequada ao contexto algumas surpresas, como atividades e conteúdos diferenciados e de qualidade, mesmo dentro daquelas limitações encontradas.

 

7 – Como você imagina a educação a distância daqui 10 anos?

Eu imagino que daqui 10 anos teremos coisas que nem conseguimos imaginar. Mas, provavelmente, o que hoje é apenas um embrião, por exemplo, as a inteligência artificial ajudando a entender dados produzidos pelos indivíduos, acredito que isso será uma realidade para muitos, ou seja, vai estar muito mais democratizado.

Hoje encontramos essas coisas em ilhas de excelência, dentro e fora do Brasil, mas elas ainda não totalmente disseminadas.

Também imagino uma educação muito mais internacionalizada, mais livre de amarras institucionais e territoriais, e também vislumbro uma aprendizagem que fará parte do dia-a-dia, ou seja, vamos aprender enquanto trabalhamos, enquanto consumimos, enquanto nos divertimos, enquanto nos relacionamos com as outras pessoas; A aprendizagem estará disseminada por todas as instâncias da vida.

 

8 – Conte-nos quem é Andrea Filatro quando não está no trabalho?

Bom, como gosto muito do que faço, o trabalho evidentemente ocupa grande parte do meu tempo.

Além de trabalhar e estudar, que são duas verdadeiras paixões, eu poderia citar coisas simples como bater papo com os amigos, assistir a séries, aproveitar um final de semana na natureza, enfim, os pequenos prazeres da vida.

 

9 – E para finalizar, você poderia nos dar uma dica de leitura, filme ou série?

Estou lendo agora “Rápido e devagar: Duas formas de pensar”, de Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de Economia por suas pesquisas sobre como as pessoas tomam decisões no trabalho, na vida pessoal, na vida acadêmica. Mesmo sendo um livro de 2011, ainda vale a leitura.

Rápido e devagar: Duas formas de pensar – Daniel Kahneman


Agradecemos imensamente por essa entrevista incrível Andrea! Que venham muitas outras!

E você leitor? Acredita que as metodologias inov-ativas e o design instrucional podem transformar cursos a distância?

Para diminuir a distância entre a sua gestão e os seus resultados efetivos, a Raleduc oferece recursos com serviços para EAD que se diferenciam pela qualidade de seus conteúdos, pela eficiência das metodologias de ensino, pelo uso de tecnologias modernas de aplicação e monitoramento, pela criatividade gráfico-editorial e pela economicidade de tempo e operacionalidade. Diante do exposto, caso queira saber como ajudamos as organizações: ASSEFAZ, TCE-RJ, HCPA, UFRGS, INFRAERO, SEST SENAT e SEBRAE Nacional, entre em contato e fale com um de nossos especialistas.





Gostou da entrevista? Então compartilhe com seus amigos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.